Livro 1

A maior coragem

A maior coragem

Gioielli, Magui (Autor)

Sinopse

Que esta história possa ressoar dentro de você, lembrando como aprecia a dignidade, a integridade e transparência. Que esta história possa revelar o forte desejo do Bem que existe em você e em todos os meninos e meninas. Uma história de crianças indígenas que se deparam com uma aventura que exige mais do habilidades físicas, mas sim o desenvolvimento de valores morais.

A maior coragem

LIVRO CONTO PG VALOR CENTRAL ADJACENTES IDADE
A MAIOR
CORAGEM
A Maior Coragem 03 ̵ Verdade
̵ Honestidade
̵ Integridade
̵ Responsabilidade
̵ Justiça
̵ Generosidade
6 a 14 anos

 

A MAIOR CORAGEM

Algumas ideias de como explorar a história para formar valores
Esta história fala sobretudo da importância da verdade e transparência. O valor que atrai e vem como “recompensa” é a coragem.
Se o educador estiver lendo o conto em várias etapas, aconselhamos fazer a primeira pausa na fala de Uirá: “A verdade pertence a todos”.
Nesse trecho os ouvintes já estão bem “ligados” aos garotos e provavelmente envolvidos no conflito. Aqui o educador pode perguntar e ouvir o que faria cada educando se fosse um dos meninos e por que.

É bom também explorar o medo da verdade, seja pelo constrangimento de ficar exposto, seja pelo risco de sofrer consequências ruins. O medo da verdade é natural e todo mundo sente e compreende.
Para gerar reflexão o educador então pergunta por que Uirá diz que a verdade pertence a todos. Explorar um pouco esse conceito. As pessoas gostam e precisam de saber a verdade.
O que poderá acontecer se a oncinha for devolvida, mas a verdade não for revelada? Se fossem o velho guerreiro, o que pensariam?
Se ninguém falar que o guerreiro Perene pode desconfiar que algum caçador da tribo pegara a oncinha e mentira na roda da fogueira, o educador levanta essa hipótese. Também é bom colocar a hipótese de Perene desconfiar da tribo inteira, imaginando que todos sabiam de tudo, mas mentiam pra ele.
A partir desse raciocínio, o educador deixa entrever que a falta da verdade leva a erros e injustiças. Por isso a verdade pertence a todos, pois cada um pode ser prejudicado pela sua ausência. Tanto aqueles que erram por não saber a verdade quanto aqueles que são vítimas de falsos julgamentos.

Continuando a leitura da história, a segunda pausa sugerida é quando Uirá parte junto com o índio velho e os amigos o acompanham até a beira do rio. “...só sofriam com a dor do seu amigo...”
Neste trecho o importante é destacar a figura digna do menino que assume a responsabilidade por seus atos sem fugir nem se queixar das consequências dolorosas. É bom que ele seja visto agora como herói.
Para isso o educador pode perguntar aos educandos como estão vendo ou se sentindo em relação a Uirá e seus companheiros. Aqui é muito importante não alimentar a censura ou a revolta contra os amigos do garoto, mas enfatizar a admiração ou compaixão que os educandos experimentam em relação ao herói; assim como destacar a amizade, a admiração e empatia de Oitici e Calu para com o amigo punido, perguntando se entendem seus sentimentos: por que estão tristes? Por que envergonhados?
Nessa hora o educador pode se reportar a algum fato real, onde as pessoas assumem ou não alguma verdade difícil.
Recentemente foi matéria de alguns telejornais o caso de um juiz de futebol que deu cartão amarelo a um jogador que aparentemente derrubara um jogador adversário.
Apenas o jogador que recebera o cartão amarelo e o adversário que caíra sabiam que ele não cometera nenhuma falta. Este último defendeu o adversário esclarecendo que não houvera falta e o juiz retirou o cartão amarelo. Ao ser elogiado por sua honestidade, o jogador respondeu que nada fizera a não ser sua obrigação.

A terceira etapa da leitura pode ser até o fim da história, quando o educador pode comentar a conclusão do cacique, o nome do novo guerreiro, a coragem para “colher o mel da verdade”
Há uma infinidade de situações reais vividas pelas crianças envolvendo a coragem de falar a verdade e também há muitas atividades que o educador pode combinar com os educandos com a intenção de exercitar a honestidade, transparência.

Para crianças maiores é possível se reportar aos acontecimentos envolvendo a Lava-jato, com políticos praticando falcatruas e se negando a assumir a responsabilidade. Levar os educandos a compararem a atitude de Uirá com essas pessoas ricas e poderosas, mas sem dignidade.
Esse momento também é oportuno para saber como os educandos estão entendendo esse acontecimento tão falado na frente das crianças, explicando com clareza de que se trata.
Perguntar aos educandos o que é a Lava-jato, o que ela aponta como crime, por que é uma boa iniciativa, por que incentiva as delações premiadas, é uma forma de saber como os educandos entendem ou não entendem esse acontecimento tão complexo.
Também é uma forma de esclarecer, desfazer enganos e encaminhar uma reflexão que aborde aspectos menos óbvios ou propalados como por exemplo:

  • As delações premiadas são desejáveis não só porque apontam os corruptos – o que é mais sensacional e explorado pela mídia - mas também porque revelam como acontecia um sistema de compra de favores ilícitos e de captura de dinheiro público; para onde ia esse dinheiro e como será possível reavê-lo.
  • A devassa que vem acontecendo com a Lava jato é desejável, não só para afastar os corruptos e inibir a prática, mas também porque permite separar o joio do trigo: pois revela aqueles que não se envolveram em maracutaias, revela que ainda há políticos honestos e não são tão poucos quanto os escândalos nos fazem crer.

Cidadãos conscientes depuram ou melhoram suas instituições democráticas votando. Mas, para isso, precisam saber em quem votar. O discurso da generalização do mal, da indignação e da punição não ajuda e pode atrapalhar a renovação.
O educador pode convidar os educandos a fazer uma pesquisa na internet, buscando um deputado ou senador que não tenha nenhuma suspeita sobre a prática de atos ilícitos em quem ele votaria.