Ser professor é para poucos

O Professor e a formação continuada

A formação do professor sempre foi uma preocupação, por isso ela passou por diversas mudanças no decorrer dos anos, no Brasil. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) até 1995, previa que a formação docente estava garantida no nível do Ensino Médio (Magistério), entretanto, buscando um aperfeiçoamento mais aprofundado do educador, a partir de 1996, a lei passou a exigir nível superior para os que atuam na educação básica, via curso de licenciatura. Esse novo contexto provocou a mobilização das universidades visando a atender a nova demanda, especialmente no que diz respeito aos currículos que seriam reformulados.


Além disso, em 2002, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores de educação básica (DCN) foram instituídas com o objetivo de olhar com maior atenção para o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais dos educadores. Elas consideraram as competências necessárias desenvolvidas na formação oferecida e também a prática futura desses docentes. Fez-se relevante, nesse prisma, a pesquisa, mantendo o foco no ensinar e no aprender, considerando os princípios de ação-reflexão-ação como essenciais para estratégias didáticas.


Nesse contexto, coube ao MEC (Ministério da Educação) criar recursos para apoiar as ações de formação para professores. Foram investimentos em bolsas de estudos, auxílio em projetos e também apoio financeiro em alguns estados.


O fato é que apenas a formação inicial do professor não dá conta de auxiliá-lo no momento de colocar em prática seus saberes. Há sempre a necessidade de buscar outros recursos, mantendo-se conectado constantemente a tudo que diz respeito a mudanças, estratégias diferenciadas, etc. Dessa forma, não há espaço para o desânimo ou para o conformismo. Eles devem ser superados e a formação continuada do educador deve estar intrínseca ao exercício da profissão.


Também se faz necessário lembrar o que Antônio Nóvoa, em sua obra “Os professores e as histórias da sua vida”, afirma: A formação não se constrói por acumulação de cursos, de conhecimento ou de técnicas, mas assim através de um trabalho de reflexibilidade crítica sobre práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. A formação vai e vem, avança e recua, construindo-se num processo de relações ao saber e ao conhecimento.


Então, ao se pensar na continuidade da formação, vale considerar o que Nóvoa destaca: a reflexão, a reconstrução, a prática. Um mero acúmulo de saberes acaba sendo desprezível se não considerado na tríade ação-reflexão-ação. Por isso, a orientação mais adequada para esse processo contínuo de formação deve ser teórico-conceitual crítico-reflexiva. Esse olhar dialoga com a Base Nacional Comum para Formação Continuada (BNC-FC) – aprovada em 2020-, documento escrito em consonância com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Ele direciona como deve ser o trabalho docente, levando em conta sempre a atuação em sala de aula e enfatiza que há três competências essenciais que devem ser consideradas ao se falar dessa formação contínua. São elas: o conhecimento do profissional, a prática desse docente e o comprometimento profissional. Dessa forma, não adianta apenas ter o conhecimento adquirido por cursos e formações, é relevante ter a capacidade de ensinar, garantindo o aprendizado dos estudantes. Essa é a prática profissional esperada.


Para isso, a BNC-FC destaca que é sempre necessário atualizar sim a formação do professor, mas respeitando esses novos referenciais: um educador que pesquisa, mas que esse feito esteja em consonância com sua prática em sala de aula.


Diante disso, o que fazer como professor formado e atuante em escolas? Não resta outra alternativa senão se preocupar com essas competências esperadas pelas diretrizes: procurar cursos, sejam eles lato-sensu, mestrados, doutorados ou cursos livres que dialoguem e propiciem o desenvolvimento das competências socioemocionais, despertando a motivação para enfrentar os desafios postos por esse momento pandêmico e também a atuação docente depois que a pandemia passar. Pensar em uma formação que, além de suprir a necessidade conceitual a respeito das novidades para atender as demandas do ensino remoto, prestigie a oportunidade de troca de experiências, associando a parte teórica ao contexto de prática pedagógica. Afinal, sabe-se que o aprendizado significativo do estudante só acontecerá de fato se houver um lugar de protagonismo para ele, se lhe forem lançados desafios para resolução de problemas, se ele se sentir motivado a buscar o conhecimento junto com o professor e, consequentemente, se for capaz de ensinar para outros aquilo que aprendeu de fato.


Não se pode deixar de lembrar de Paulo Freire, pois, para o qual a formação continuada era concebida como um processo contínuo e permanente para o desenvolvimento do professor. Primeiro com a formação acadêmica e, depois, quando esse profissional está em plena atividade em sala de aula. Percebe-se que somente com uma prática crítico-reflexiva o educador irá adquirindo sua autonomia e saberes vindos de sua própria experiência e da troca em formações realizadas. Isso lhe dará maior segurança para realização do trabalho e confiança para ousar e buscar soluções para os obstáculos enfrentados.


Foi isso que muitos educadores brasileiros fizeram quando lhes foi imposto – de forma imediata – um ensino remoto, com uso de tecnologias, que nem sempre faziam parte do seu cotidiano profissional. E tantos foram aqueles que aceitaram o desafio, esqueceram-se das reclamações e lançaram mão de cursos que pudessem auxiliá-los no aprimoramento de estratégias para manterem seus alunos atentos e aprendendo, ainda que com a distância.


Ser professor é isso... Não dá para estacionar no tempo... Afinal, o brilho nos olhos dos alunos alimentam nosso desejo de acreditar que estamos no caminho certo e de entender quando a rota deve ser mudada.


A Labor Educacional realiza diversos projetos pelo Brasil, visando à formação continuada de professores. Conheça um deles, realizado no Espírito Santo.



DICA: Clique no link e confira, a seguir, algumas propostas de formação continuada oferecidas pelo MEC.

http://portal.mec.gov.br/formacao

Fale conosco
contato@labor.org.br
+55 (11) 2924.7053

Localização
Nosso Escritório
Espaço Compartilhar FICAS

Rua Dr. Lopes de Almeida, 180
Vila Mariana - Cep: 04120-070 - São Paulo/SP

Horário de Funcionamento
De Segunda a Sexta das 9h00 às 18h00

© Copyright 2021. Todos os direitos reservados.